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Momento de Mudanças - Entrevista com Maria Cláudia Kohler
March 24, 2010 08:41 AM PDT
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Por Thiago José

Este mês os voluntas brasileiros foram surpreendidos com a notícia da saída de Maria Cláudia Kohler, Coordenadora de Voluntários do GP Brasil. MC, como é conhecida, coordenou os voluntários brasileiros por cerca três anos. Neste tempo em que ficou a frente do voluntariado no Greenpeace, ela foi responsável pela reestruturação dos grupos locais, propôs e participou de mudanças significativas, como a elaboração da política de voluntários da organização, com maior integração e envolvimento, conseguindo desta forma consolidar nosso trabalho. Trouxe mais força para os grupos e conseguiu reconhecimento pelo esforço e dedicação que empenhamos em nossas atividades.

MC fincou em SSA um exemplo de liderança, exercida com base no respeito e na busca de ideais comuns. Desejamos a ela sucesso na realização de seus projetos pessoais e profissionais. Os voluntas de Salvador se sentem órfãos de um membro importante para a organização.

Ao Pedro Torres, novo coordenador de voluntários, damos as boas vindas. A expectativa é de uma parceria ímpar, com a concretização do que já foi proposto pela gestão anterior e realização de novos projetos.

Maria Cláudia Kohler nos contou um pouco sobre o tempo em que esteve à frente do voluntariado no Greenpeace nesta entrevista.

GreenpeaceSSA | Como você encarou o desafiou de assumir a coordenação do GP Brasil?
Maria Cláudia Kohler | Cheguei no Greenpeace há três anos, em um momento de mudanças e questionamentos na minha vida, onde queria muito voltar a fazer coisas práticas, de vê-las de fato acontecer. Esse tempo passou rápido demais! Além de desafiante, foi sem dúvida uma experiência bastante gratificante. Minha vontade, naquele momento da minha vida, era de voltar a atuar em ONG, pois já havia trabalho nos demais setores – governo e empresa. Fui, entre outras coisas, professora por 12 anos e sentia que estava na hora de retornar ao movimento ambientalista ativamente, como já havia participado antes.

Ao ingressar no Green, por convite do Marcelo Furtado e do Frank, fui muitíssimo bem recebida por todos do escritório. Como já conhecia o pessoal, pois havia trabalho com Marcelo Marquesini para a CBD em 2006, no programa Kids for Forests, foi mais fácil. Neste programa envolvemos 10 jovens brasileiros, conheci equipes de outros escritórios, vi de perto como o Greenpeace trabalha e só tive saldo positivo!
Como sempre digo, o Greenpeace é muito legal de trabalhar, mas muito difícil também. Descobrir o caminho das pedras e por onde elas rolam, pode ser um trabalho árduo, sofrido e lento. Mas muitos ajudaram como Gui Leonardi, Mada, Rebs, Gabi, Tica, MM, Agnaldo, Carol, Edu, Fabiano, Dri Imparato e voluntários mais antigos, como Tânia, Rosi e outros.

Mas é legal contar que em 1985, quando ainda cursava faculdade de biologia no RJ, participava de uma ONG chamada Campanha Popular em Defesa da Natureza. A idealizadora desta ONG era uma senhora super engajada, militante e “mucho louca”, do movimento ambientalista, chamada Ruth Christie. Ela era alemã e morava no Brasil há muitos anos. Fazia parte da turma dos ambientalistas da época, como José Lutzemberg, Almirante Ibsen, Marcelo Ipanema, Magda Renner. Como ela tinha contato com o PV Alemanha e o Greenpeace na Alemanha, recebíamos por correio os panfletos das campanhas. Traduzíamos, datilografávamos, xerocávamos e panfletávamos em pontos da cidade. Era muito legal! .

Eu já admirava o Greenpeace, com as ações muito irreverentes para a época. Achava o máximo aqueles malucos cabeludos e corajosos se jogando na frente de navios e se pendurando. Eles já eram radicais e obstinados. Tinham ideologia e faziam a “máquina da mídia” ficar ligada no que eles faziam. Era muito bom!

O forte naquela época, década de 80, era campanha de tóxicos, poluição de rios e matança de baleias. No Brasil nem se falava em legislação ambiental, Cubatão era a cidade mais poluída do mundo e caçava-se baleia na Paraíba. Os dejetos das fábricas eram jogados sem tratamento nos rios e a poluição destes era infinitamente maior que hoje.

E foi assim, em tempos sem internet, celular e computador, que conseguimos parar com a caça da baleia na costa brasileira. Fazíamos vigília na praia do Arpoador e lobby com deputados, como Gastone Righi que acabou criando a Lei "Gastone Righi", proibindo em 1985 a caça às baleias no litoral brasileiro.
PARA SABER MAIS:
“ Nossas águas foram palco dessa atividade devastadora desde o século XVII. A caça artesanal estendeu-se do litoral sul da Bahia até a Paraíba.
O período industrial ocorreu depois da criação da COPESBRA, em 1910, uma empresa nipo-brasileira que detinha o monopólio da atividade. Sediada em Cabedelo, na Paraíba, a empresa operou em águas brasileiras até 1986, quando o presidente José Sarney sancionou a lei que proíbe a caça da baleia no litoral do Brasil.

Durante os seus 75 anos de atuação, a COPESBRA abateu cerca de 22.000 animais de todas as espécies, segundo os registros deixados pela empresa. Devido ao forte declínio das populações de baleias, a indústria sentiu-se forçada a regulamentar a caça ao redor do mundo, criando, em 1946, a Comissão Baleeira Internacional (CBI). Com o único objetivo de conservar as populações de baleias para que pudessem ser devidamente exploradas, a CBI criou um "efeito dominó": à medida que uma espécie rareava, partia-se para a caça de outra, até que todas foram sendo rapidamente dizimadas.” http://www.faunabrasil.com.br/sistema/modules/tiny8/index.php?id=15

GpSSA | O que mais te motivou a seguir em frente diante das adversidades encontradas na organização?
McKohler | Quando entrei, os sete grupos de voluntários estavam desestruturados e desarticulados já há alguns meses, com a doença e posterior morte do Emilio, que foi quem criou os grupos de voluntários. Ele era uma pessoa muito querida por todos e foi um impacto a perda dele. Os grupos estavam devagar, desmotivados e perdidos.

Acreditar é palavra de ordem para quem é ambientalista. Apesar da dificuldade e dos processo complexo, sempre acreditei na idéia do Greenpeace e que eu poderia contribuir de alguma maneira. Na vida sempre tive a oportunidade de trabalhar naquilo que acredito e gosto – ainda bem! Sem isso, não tenho motivação nem vejo sentido.

O time que encontrei era muito bom e isso tudo me motivou muito. Além de ser um trabalho desafiante e apaixonante! E também tinha o apoio da diretoria, o que era importante e muito bom. Foi um momento importante para consolidar os grupos. Espero que não desmontem este processo.

GpSSA | Pra você, que já trabalhou com governo e empresa privada, o que faz o trabalho em uma Organização Não Governamental ser diferente?
McKohler | Acho que o profissionalismo deve estar presente em qualquer espaço. Mas em ONG tem uma variante que é o compromisso. Não é o salário que te motiva, mas o desafio. Quem trabalha no terceiro setor tem um comprometimento diferente, acho eu. Você precisa estar envolvido com a causa. Acho que isso que é o grande desafio!

GpSSA| Após três anos de Greenpeace qual o balanço que você faz sobre o voluntariado na organização e os novos desafios assumidos a partir de agora pelo novo coordenador?
McKohler| Elaboramos a política de voluntários da organização, reescrevemos o lendário e polêmico manual de voluntário, estabelecemos a linha de comunicação dos coordenadores dos grupos de voluntários com o GP Brasil implementamos o calendário anual dos grupos, com reuniões mensais dos grupos e uma atividade por mês por cidade, envolvemos mais as campanhas nos grupos, integramos time de ação com voluntário, aumentando o número de ativistas, quebramos panelas e derrubamos pré-conceitos, integramos a reunião anual de coordenadores locais com os supervisores de DD – Diálogo Direto, inserimos VOLUNTÀRIO no planejamento da organização, inserimos uma coluna de voluntariado na revista do GP Brasil, fizemos a pesquisa sobre o perfil do voluntário, inserimos palestras e atividades em escolas nas atividades dos grupos e construímos a agenda comum entre Voluntário e DD. O desafio agora é continuar, manter este trabalho, e agregar ingredientes diferentes.

GpSSA| Qual o retorno que teve do seu trabalho junto aos voluntários do GP Brasil?
McKohler| Fiz muito amigos verdadeiros, aprendi MUITO com vocês! Podem ter certeza que aprendi muito mais com cada um de vocês do que vocês comigo. Verdade! Atitudes valem mais que o discurso teórico de alguns. Falar só bonito não basta para mudar. Me tornei, com certeza, um ser humano muito melhor após estes três anos, graças ao aprendizado que obtive com cada um de vocês.

Todas as homenagens que rolaram, toadas as manifestações, isso foi sincero! E é bonito ver isso, me emocionou muito. Fiquei de fato comovida, mas muito feliz! È importante saber que nada foi em vão, que o caminho estava certo, que de fato atingimos o que deveríamos e que envolvemos quem precisávamos. Essa é a verdadeira mudança. Com certeza ninguém mais é o mesmo depois destes três anos. Construímos juntos, e isso é o mais legal, mais fundamentado, pois não se desmonta facilmente. Não foi um trabalho imposto e sim construído, com vocês voluntários, com perfis diferentes de personalidades e cidades.
Até hoje, em todos os lugares onde trabalhei, deixei amigos e a porta sempre ficou aberta para voltar. Assim será com o Greenpeace!

GpSSA | Acredita ter deixado algum “legado” para os voluntários brasileiros?
McKohler | Acho que “legado” é forte. Talvez o legado tenha sido do Emilio, que iniciou isso tudo e acabou deixando a saúde de lado por se dedicar tanto. Todo mundo deixa uma marca, cada um deixa a sua, né? Deixei uma positiva, creio eu. E isso dá a sensação de dever cumprido, missão realizada. Claro que poderia ter feito mais, sim, sempre! Mas tiveram também questões estruturais e de orçamento limitado. Faz parte! De maneira geral, o saldo foi positivo, atendemos o que foi proposto.

GpSSA | O que esses anos em que esteve à frente da coordenação de voluntários trouxeram para sua vida profissional?
McKohler | Aprimorei o trabalho com projetos, apreendi novas ferramentas de trabalho de projeto e de gestão de pessoal, articulei com outras ONG´s nacionais e internacionais, enfim, aprendi a ter mais paciência também.

Vivenciei e confirmei que sem motivação e credibilidade não se coloca voluntário na rua, não se pendura banner, não se coleta 70 mil assinaturas, não se faz Open Boat, não se dá palestra em escolas, não se faz atividades sob sol, chuva ou ventania, não se passa perrengue juntos, não se dorme na delegacia, não se é fichado acha que tudo bem e ainda acha que, mesmo assim, valeu a pena.

Confirmei que sem acreditar no líder do grupo, não se troca a praia pela reunião no final de semana, ou a balada de sexta à noite pelo longo briefing de um campaigner animado para uma importante atividade no dia seguinte.

GpSSA | E para sua vida pessoal, esses anos de Greenpeace trouxeram muitas mudanças?
McKohler | Olha, foram três anos que me diverti muito e fui muito feliz. Conheci muita gente legal, enfrentamos desafios juntos e também me identificava com os ideais de todos. Mantive minha mente ligada na juventude e isso ajuda a te tornar uma pessoa feliz. Estes anos reforçaram o que eu já acreditava: Sem tesão, não se faz revolução!

GpSSA | Você faria algo diferente do que já fez até hoje?
McKohler| Hum, acho que não. Eu ainda quero ficar um tempo em uma aldeia indígena e sair velejando pelo mundo. Vontades que tenho e que se concretizarão algum dia!

GpSSA| Qual a mensagem que você deixa para aqueles que, assim como você acreditam na mudança, através da atuação, dedicação, companheirismo e sensibilização por uma causa?
McKohler| Acreditem sempre que cada um de vocês pode fazer a diferença. Acreditem nos sonhos de vocês, fiquem indignados, reclamem, busquem soluções. Participem. Não desistam, nunca!

Aprendi com vocês como se faz de verdade para termos um planeta melhor, mais solidário e voltado para o bem coletivo, pensando ainda nas próximas gerações. Agradeço muito, pois tenho filhos e quero ter netos também. Isso é único neste mundo individualista e egocêntrico, onde ter é mais que ser.
Obrigada, galera! E até breve; afinal, os caminhos de quem acredita que um outro mundo é possível sempre acabam se cruzando!

GpSSA| Conte um pouco sobre o grupo de Salvador e a suas impressões sobre ele.
McKohler | Pra mim, o grupo de SSA foi um bom desafio que deu muito certo. Lembro quando entrei no GP e o coordenador era o Gilmar. Mas ele não ficou. Depois veio a Lisiane, que também não ficou! Daí o Julio foi indicado como coordenador, eu não o conhecia, não sabia nada dele. Tudo isso aconteceu em dois meses. Não tinha gostado muito como ele tinha sido indicado, mas respeitei a decisão do grupo e dei credibilidade (vigiada! rsrs) para ele. O grupo de SSA tinha, naquela época, uma característica muito ruim de fazer fofoca. Era um grupo muito fofoqueiro! Muito chato isso, inclusive. No início pensamos inclusive em fechar o grupo de tão chato e fofoqueiro que era. (rsrs) Depois de muitas reuniões, o grupo foi se ajustando, amadurecendo e o Júlio ganhado minha confiança e mais espaço nas campanhas. Pra mim o grupo de SSA cresceu e se fortaleceu graças ao compromisso, maturidade e empenho do Júlio, que soube cativar as campanhas e buscar espaço dentro da organização.

Claro que neste processo de ficar mais perto, fortalecer e conhecer o grupo acabei indo várias vezes para SSA. Lembro de uma vez que tivemos uma reunião domingo as oito da matina, aquele sol; cheguei um pouco atrasada, pois desencontrei da voluntária que ia me buscar no hotel. Ao chegar à reunião, fiquei envergonhada, a sala da universidade estava cheia – mais de 30 voluntas. Fiquei emocionada! E fui tendo cada vez mais respeito por vocês. Vocês construíram este espaço e o coordenador local tem um papel forte nisso.

Hoje enxergo o grupo de SSA como um grupo forte, de bons amigos, responsáveis e capacitados. Vocês são criativos e podem explorar mais ainda isso. Um pouco mais de seriedade também não faz mal nenhum. É importante estimular o respeito entre vocês. Fiz amigos e amigas queridas no grupo e o Júlio, pessoalmente, se tornou um grande amigo!

Tornei-me amiga de muitos voluntários, é claro! Estabelecemos uma relação de confiança, respeito, carinho e muito bem querer. Não dá pra não se envolver. Dividimos tantas coisas. É uma relação de transparência e confiança!

Entrevista | Júlio Rocha – Diretor Geral do INGÁ
December 22, 2009 08:01 AM PST
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Por | Iasmine Amazonas

Júlio Rocha é Formado em Direito Ambiental, atua na área acadêmica como professor das Universidades Estadual da Bahia e Estadual de Feira de Santana e é Dirigente Geral do Ingá – Instituto de Gestão das Águas e do Clima. Em um rápido bate-papo com a voluntária Iasmine Amazonas ele fala sobre os impactos causados pelo crescimento urbano em Salvador, atuação dos órgãos públicos em relação aos crimes ambientais e a problemática que envolve as usinas nucleares.

Entrevista |

GreenpeaceSSA | Como você vê o crescimento urbano de Salvador e a interferência na preservação de nossos lençóis freáticos?
Júlio Rocha | É visível que Salvador cresce sem planejamento, e 81% dos problemas ambientais urbanos tem como causa essa falta de estrutura das grandes cidades.

Gp.SSA | Sendo do Ingá, qual é sua posição em relação ao descuido da prefeitura da Cidade com nossas praias?
J.R | Um absurdo. Essa é, infelizmente, uma tendência equivocada que muitos países têm em relação a suas praias. O indicado, na verdade seria cuidar muito bem das nascentes, para preservar tudo o que vêm e depende delas.

Gp.SSA | Como você vê o fato de o esgoto de Salvador ser jogado no mar?
J.R | Insustentável. Não só o Brasil, mas como todos os países que utilizam dessa estratégia deveriam repensar e se empenhar em tratar seus esgotos. Para você ter noção, em Israel 90% do esgoto é tratado. Se eles podem fazer, por que nós não.

Gp.SSA | Você do Ingá, como vê a atuação do governo de querer colocar uma usina nuclear aqui na Bahia?
J.R | A questão “Usina Nuclear” é militar. Então a briga é bem maior, por que envolve toda uma questão política no meio disso e a pressão disso em âmbito mundial. O que eu acho que deveria ser feito é no mínimo, remanejar as pessoas do lugar onde a usina será feita para não prejudicar, nem colocar alguém em risco.

Gp.SSA | Nós vemos algumas empresas estatais cometendo crimes ambientais, porém não vemos as devidas sansões, qual sua opinião sobre isso?
J.R | O que o IBAMA faz muitas das vezes é multar. Isso não resolve, considerando o faturamento dessas grandes empresas. Além de outras sansões o governo deveria exigir dessas empresas o investimento de reposicionamento em relação aos recursos naturais que elas usufruem.

Gp.SSA | Qual sua visão sobre a INB?
J.R | Eu acho que INB não tem transparência na hora de fazer sua comunicação, ela na se preocupa em dizer abertamente o que faz e por isso deixa margem a comentários. O IBAMA acabou de renovar o contrato deles e ninguém ficou sabendo. Outra coisa que pega em relação à INB é encontrar o nexo de causalidade entre os fatos da INB e a responsabilidade dela nas conseqüências com relação ao urânio dentro da INB e no crescimento dos níveis de impacto disso. Só com isso é que pode provar alguma coisa contra a INB.

Gp.SSA | Para finalizar, como você vê a atuação do Greenpeace?
J.R | Eu vejo como uma coisa boa, feita por pessoas que se sentem no dever de cuidar do lugar onde vivem. Eu gosto e apoio.

Entrevista – Edu Santaela – Publicitário integrante da Área de Mídia do Greenpeace Brasil.
October 20, 2009 04:25 PM PDT
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Lutar por si próprio gera apenas sofrimento. Lutar por todos nós abre portas inimagináveis e possibilidades incríveis. Quem perceber que abandonar a si próprio pra lutar pelo próximo é o único caminho, recebe presentes do universo e escreve o nome no livro da história. Mesmo que você não faça nada grandioso, mesmo que você não apareça numa foto na ação, saiba que é a sua intenção que está contando. Sejamos humildes, não somos superiores ou inferiores a ninguém - somos todos irmãos e irmãs! A Terra agradece aos verdadeiros guerreiros do arco-íris. Positiva galera, o futuro é feito por nós todos. AGORA! [Edu Santaela]

07 (Sete) Anos de Greenpeace
Sonho | Viver o suficiente pra ver a humanidade se unir verdadeiramente.

Entrevista

GpSsa | Por que o Greenpeace?
Edu Santaela | Porque o Greenpeace expõe, confronta e luta contra os problemas ambientais que agridem a nossa casa, a nossa querida Terra.

GpSsa | Já pensou em largar tudo e seguir fazendo outra atividade?
Já. Mas não consigo me imaginar trabalhando pra uma empresa ou qualquer lugar que tenha como objetivo final o lucro pra um grupo de diretores / presidentes / chefes, enquanto todo mundo rala pra esse grupo se beneficiar. Meu primeiro trabalho remunerado foi o Greenpeace, só posso agradecer ao destino por me dar a oportunidade de trabalhar por uma causa na qual acredito.

GpSsa | Se tivesse a possibilidade de voltar no tempo faria algo diferente do que já fez até hoje?
Edu Santaela | Sim, com certeza. Mas não podemos mudar o passado, só construir o futuro.

GpSsa | Como é seu trabalho na organização?
Edu Santaela | Trabalho com a parte online do Greenpeace - no site, blog, redes sociais (twitter, orkut, facebook, youtube...). Trabalho no departamento de comunicação, e juntos pensamos em idéias pra melhorar a presença de nossas campanhas no mundo virtual. Estamos o tempo todo em contato com outros escritórios do Greenpeace pra trocarmos idéias sobre atuação na internet. Uma dessas idéias foi aproveitada recentemente: o pessoal do Greenpeace Canadá transmitiu ações ao vivo em Alberta, contra as Tar Sands (onde estava nosso querido Papu) e nós realizamos algumas transmissões ao vivo de ações aqui também, como pode ser visto no blog do GP. E quando há a oportunidade, trabalho em campo, seja no navio, seja onde for.

GpSsa | É fácil lidar com pessoas diferentes ao mesmo tempo?
Edu Santaela | Não. Mas é um aprendizado constante. Saber conviver com os outros, tão diferentes de nós mesmos, é uma ótima lição pro nosso ego. E, além disso, as diferenças dos outros não deveriam nos incomodar, e sim nos mostrar que mesmo diferentes, somos todos iguais em essência.

GpSsa | Existe um perfil de voluntário ideal? Se sim, qual é esse perfil?
Edu Santaela | Não acho que exista um perfil ideal, mas acredito que deva existir pelo menos um comprometimento sério da parte de cada um que queira ser voluntário. Na verdade, uma pessoa que de coração perceba que da maneira que estamos vivendo estamos caminhando para um beco sem saída, já pode ser voluntário. Quando percebemos que tudo e todos são partes da mesma coisa, quando despertamos pra verdade fundamental (eu sou você, você sou eu, e somos todos partes do mesmo todo), não há mais motivos para não querer o bem de tudo ao nosso redor. E querer bem não é o suficiente - precisamos lutar pelo bem de todos nós, e dos que virão.

GpSsa | Já participou de alguma ação que te fez sentir medo? Esse medo já te fez pensar em desistir?
Edu Santaela | Já senti medo de ser agredido em algumas ocasiões, mas nunca pensei em desistir. Nosso planeta é agredido o tempo todo, e ainda assim, ele não desiste de nós. Porque uma agressão nos faria desistir? Mas tudo tem limite, e Gaia pode acabar se enfurecendo muito em breve...

GpSsa | O que espera para o futuro da humanidade?
Edu Santaela | Espero que possamos perceber que somos todos tripulantes nesse mesmo barco que é a Terra. Espero que nossos governantes percebam a responsabilidade que estarão assumindo em Copenhague, pois as decisões deles ditarão o futuro do planeta. Espero que minha filha possa crescer num mundo justo, limpo, ecologicamente equilibrado, onde haja o conhecimento de que fronteiras entre países, estados e continentes não significam nada para a Terra.

GpSsa | Já se sentiu impotente diante de algum fato | acontecimento?
Edu Santaela | Já, mas nunca deixei de lutar. E algumas vezes a luta pode não ser naquele instante – ela pode ser subversiva, de longo prazo, aos poucos ou até mesmo no mundo virtual.

GpSsa | Como você descreve a importância do seu trabalho para a organização?
Edu Santaela | A internet possibilita a informação em tempo real. Uma ação pode ser notícia na web em segundos, e na boca do mundo em minutos. E com os blogs, twitter e outras ferramentas online, o gerador de informação não é mais a imprensa. Somos eu e você. Além do potencial de mobilização online que a internet permite ela rasga as barreiras virtuais e invade o mundo real. Podemos estar distantes, como o grupo de Salvador e o escritório de São Paulo estão, mas na internet estamos a poucos cliques de distância e somos MUITOS!

ENTREVISTA DO MÊS | Daniele Miranda |
June 02, 2009 07:52 PM PDT
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Ativista embarcada no navio Arctic Sunrise, um dos três navios da frota do Greenpeace.

Por Thiago José

Mergulhar é seu lazer. Mais do que isso, é “estar no silêncio do mar vendo a perfeição que é a natureza em cada pedaço de vida”. É uma atividade simples que faz Daniele se sentir feliz e aproveitar melhor a vida.

Estudante de biologia, nossa ativista deixou os estudos e família para viajar durante três meses a bordo do Arctic Sunrise, um dos três navios da frota do Greenpeace, rumo à Holanda, de onde deve embarcar de volta ao Brasil ainda esse mês. O trabalho? Lixar, pintar, limpar, consertar e organizar; é o que faz todo dia das 07 às 17 horas. Para a ativista cada pedaço do navio que cuida, faz com que se sinta realizada, por saber o quanto esta “ferramenta” é importante na luta das campanhas do Greenpeace. “Como o nome já diz, antes de voluntário é um trabalho como qualquer outro. Mas é o melhor”, afirma a futura bióloga.

Daniele tem apenas vinte um anos e um sonho bem simples, ver uma baleia de perto; talvez nadar com ela. Em entrevista ao Blog do Grupo de Salvador, a ativista fala sobre seu trabalho no Greenpeace, o convite para a viagem e o convívio com pessoas de diversas nacionalidades a bordo do Arctic Sunrise, onde afirma ter aprendido a respeitar mais as diferenças.

ENTREVISTA

GreenpeaceSSA | Quando começou seu interesse por trabalhos voluntários?

DANIELLE MIRANDA | Sempre fui apaixonada pela natureza e por animais, mas como não encontrava muitas pessoas como eu, nao sabia como encontrar uma instituicão para me voluntariar. Ia participando das coisas que eu ficava sabendo como feiras, et cétera.

Gp.SSA | E pelo Greenpeace, quando surgiu a “paixão”?

D.M | Quem tem algum compromisso com a natureza quer fazer parte do Greenpeace. É certo! Comigo não foi diferente. Um dia, numa manifestacao contra animais em circo, conheci pessoas que faziam parte do Greenpeace. Me informaram que haveria selecão um tempo depois. Estou aqui até hoje.

Gp.SSA | Como surgiu o convite para a viagem?

D.M | Em uma tarde de Open Boat em Salvador, o Coordenador de Logística veio me perguntar se eu queria ficar mais 3 meses no navio. Não tinha outra resposta, a não ser sim!

Gp.SSA | O que te fez largar tudo e seguir viagem rumo à Holanda?

D.M | Para muitos parece loucura jogar tudo pra cima e embarcar nessa historia. Mas só de pensar que estou cuidando do navio, que por onde passa leva esperanca, durmo muito mais feliz! Pode ter certeza, (risos).

Gp.SSA| Como essa “Experiência” está mexendo com você?

D.M | Nossa! Hoje eu digo: minha vida é um x. Com o navio estou indo dos lugares mais isolados aos mais povoados que podem existir na terra. Aprendi a me desapegar de pequenos detalhes e viver cada dia como se fosse o último. E a cada dia me torno mais ambientalista.

Gp.SSA| Como é viver em um navio com pessoas de diversas nacionalidades?

D.M | Eu diria interessante. Todo mundo deveria passar por uma experiencia como essa um dia. Assim a gente pode descobrir novos costumes e entender porque não existem duas pessoas iguais. Aprendi a respeitar mais as diferencas.

Gp.SSA | Descreva o seu dia-a-dia a bordo do Arctic Sunrise?

D.M | Acordo as 7h, pego um café e fico até às 8h olhando para o mar. As 8h comecamos a limpeza do navio, limpeza mesmo - banheiro, corredor, chuveiro, et cétera. Depois vem o trabalho pesado: lixar, pintar, consertar e organizar. É isso que faço todo dia até as 17horas. De cada pedaço do navio que cuido, me sinto realizada, por saber o quanto esta ferramenta é capaz de ajudar na luta das nossas campanhas.

Gp.SSA | Fazendo parte hoje da tripulação do Navio e olhando para o passado, você faria algo diferente?

D.M | Nada! É bom estar aqui dentro e ver que a tripulação é formada por pessoas normais como qualquer um de nós, que acredita nos seus objetivos e batalha por eles.

Gp.SSA | Quando voltar ao Brasil o que espera encontrar? Com quais olhos você acha que as pessoas vão te olhar?

D.M | Quero encontrar o mesmo que eu deixei. Família, amigos e mais Green! Como vão me ver, eu não sei, mas continuarei sendo a mesma Daniele de sempre, sem mais nem menos.

Gp.SSA | Seria isso possível Dani?

Entrevista com o Voluntário Roberto Luis
April 26, 2009 04:57 PM PDT
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Roberto entrou para o time de voluntários do Greenpeace de Salvador na última seleção que aconteceu no dia 25 de Abril de 2009. Nesta entrevista ele fala sobre Trabalho Voluntário, Meio Ambiente e Greenpeace. Confira!

Entrevista com o Voluntário Marcos Espinola
April 26, 2009 04:54 PM PDT
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Marcos entrou para o time de voluntários do Greenpeace de Salvador na última seleção que aconteceu no dia 25 de Abril de 2009. Nesta entrevista ele fala sobre Trabalho Voluntário, Meio Ambiente e Greenpeace. Confira!

Entrevista com o Voluntário Lucas Meireles
April 26, 2009 04:52 PM PDT
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Lucas entrou para o time de voluntários do Greenpeace de Salvador na última seleção que aconteceu no dia 25 de Abril de 2009. Nesta entrevista ele fala sobre Trabalho Voluntário, Meio Ambiente e Greenpeace. Confira!

Entrevista com o Voluntário Leonardo Matos
April 26, 2009 04:45 PM PDT
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Leonardo entrou para o time de voluntários do Greenpeace de Salvador na última seleção que aconteceu no dia 25 de Abril de 2009. Nesta entrevista ele fala sobre Trabalho Voluntário, Meio Ambiente e Greenpeace. Confira!

Entrevista com a Voluntária Kaiane Sales
April 26, 2009 04:41 PM PDT
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Kaiane entrou para o time de voluntários do Greenpeace de Salvador na última seleção que aconteceu no dia 25 de Abril de 2009. Nesta entrevista ela fala sobre Trabalho Voluntário, Meio Ambiente e Greenpeace. Confira!

Entrevista com a Voluntária Iris Tavares
April 26, 2009 04:36 PM PDT
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Iris entrou para o time de voluntários do Greenpeace de Salvador na última seleção que aconteceu no dia 25 de Abril de 2009. Nesta entrevista ela fala sobre Trabalho Voluntário, Meio Ambiente e Greenpeace. Confira!

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